TOXOPLASMOSE – Entendendo a doença e seus riscos

O Rio Grande do Sul está passando pelo maior surto de toxoplasmose já enfrentado em toda a sua história. No dia 25/05 (última sexta feira) foram divulgados pelo Governo do Estado e Prefeitura de Santa Maria dados sobre o surto de toxoplasmose que já contabiliza 460 casos confirmados de 1.116 casos notificados.
A toxoplasmose é uma zoonose (doença transmitida dos animais ao homem), causada pelo protozoário Toxoplasma gondii, com uma ampla distribuição geográfica, sendo encontrado no mundo todo. É considerado um dos parasitas mais freqüentes do ser humano. O gato é o hospedeiro definitivo, enquanto o homem, outros mamíferos e as aves são os hospedeiros intermediários.
O T. gondii possui um complexo ciclo biológico e apresenta três estádios principais do seu ciclo evolutivo: oocisto, taquizoíto e bradizoíto (formam cistos).
Os gatos são de importância primária na transmissão da toxoplasmose, pois são os únicos animais urbanos que eliminam os oocistos pelas fezes. Outros felídeos silvestres também são capazes de eliminar formas infectantes do protozoário através das fezes, mantendo o ciclo epidemiológico em áreas não urbanizadas.
Os hospedeiros definitivos, na maior parte das vezes, se infectam ao ingerirem os cistos que estão nos tecidos dos animais infectados, principalmente dos ratos e pássaros. Os cistos libertam os parasitas dentro do intestino do gato, infectando-o. Alguns dias após a ingestão ocorre o ciclo sexuado do parasita e a formação dos oocistos (ainda não infectantes – chamados, não esporulados). Os oocistos são eliminados através das fezes no ambiente, e em condições ideais de temperatura, pressão, oxigenação e umidade, os oocistos levam de 1 a 5 dias para esporular e se tornarem infectantes para as pessoas e animais, podendo ficar viáveis por mais de um ano, em condições climáticas favoráveis. A maioria dos gatos eliminam os oocistos durante uma a duas semanas, após tornam-se imunes e não representam risco.
Os animais de produção (bovinos, ovinos, suínos, aves, etc) normalmente adquirem a toxoplasmose pela ingestão de água, pastagens e rações contaminadas com os oocistos esporulados. Nestes animais ocorre a formação de cistos na musculatura. Dificilmente são observados sintomas, mas podemos relacionar com abortos em ovelhas e mortes logo após o nascimento de cordeiros.
O ser humano pode se contaminar de diversas formas, entre elas:
    Pela ingestão de bradizoítos (cistos) presentes nas carnes cruas ou mal cozidas contaminadas de bovinos, caprinos, ovinos, suínos e aves. Também ocorre através do consumo de embutidos crus. É considerada a forma mais comum de contaminação;
    Ingestão acidental de oocistos eliminados em fezes de gato, que podem contaminar a água, a terra e as verduras e legumes;
    Via transplacentária: 50% dos fetos se contaminam quando as mulheres adquirem a infecção toxoplasmática pouco antes de engravidarem ou durante a gestação. Esta forma é considerada a mais grave podendo ocorrer malformações fetais (hidrocefalia, neuropatias, oftalmopatias) e aborto. Além disso, caso o recém-nascido seja normal, poderá posteriormente apresentar alterações como coriorretinites, retardamento mental ou distúrbios psicomotores.
    Pela ingestão de taquizoítos encontrados no leite cru ou em queijos preparados com leite não pasteurizado;
    Outras formas menos comuns de transmissão, como transfusões sangüíneas e transplante de órgãos, também têm sido apontadas.
A manifestação clínica mais comum da infecção nos humanos é a linfadenopatia assintomática (ínguas), geralmente na região cervical, embora outros grupos de gânglios possam estar aumentados. O aborto pode ocorrer, como foi relatado anteriormente, bem como problemas oculares. Além disso, sintomas comuns como febre, mal estar, sudorese noturna, mialgia, também podem fazer parte do quadro clínico da toxoplasmose aguda.
O risco de infecção toxoplásmica é maior entre a população rural, devido aos seus hábitos alimentares e ao contato freqüente com as fontes de infecção, por exemplo, animais domésticos.


COMO EVITAR A DOENÇA:
Nos humanos:
•    Lave bem as mãos antes de preparar alimentos;
•    Lave bem as verduras, frutas e legumes antes de consumi-las;
•    Não coma carne crua ou mal passada;
•    Não beba leite que não seja pasteurizado;
•    Mantenha bons hábitos de higiene;
•    Não deixe seus filhos brincarem em areais ou pracinhas que não sejam telados, onde há fezes de animais;
•    Lave bem as mãos após limpar a bandeja sanitária de seu gato ou mexer em terra, e procure sempre  usar luvas ao praticar jardinagem.


Nos gatos (ações para prevenir a infecção dos gatos e das pessoas):
•    Leve seu gato regularmente ao médico veterinário;
•    Mantenha-o sempre bem alimentado com ração comercial: isto reduz a chance de ele caçar e se infectar com a toxoplasmose;
•    Nunca dê carne crua para seu gato;
•    Leve-o ao veterinário se ele apresentar diarreia;
•    Evite que seu gato faça passeios fora de casa;
•    Mantenha sempre uma bandeja com areia sanitária para seu gato fazer as necessidades e remova os dejetos diariamente, sempre com o auxílio de luvas e uma pá;
•    Higienize a bandeja sanitária no mínimo uma vez por semana.


LEMBRE-SE:
•    Você não pega toxoplasmose ao acariciar um gato.
•    Não abandone seu gato por medo de contrair a doença. Você só pega toxoplasmose se ingerir terra ou alimentos contaminados com fezes de gatos, mas bons hábitos de higiene e limpeza no preparo dos alimentos evitam isso.
•    Cães, pombos e mordidas de gatos ou outros animais NÃO transmitem a toxoplasmose.
•    Não existe vacina contra a toxoplasmose.
•    Você não precisa se desfazer de seu gato se estiver grávida. Basta manter bons hábitos de higiene.


Texto: Médicos Veterinários Rafael Duarte e Gabriela Javornik
SERVIÇO DE INSPEÇÃO MUNICIPAL DE ROLANTE – Cuidando da segurança dos alimentos e da saúde da população.

























 

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